De Albert Camus a Clarice Lispector e por influências da músicas do Rock n Roll nacional e Internacional, nos livros de Jules Verne, nas artes esperançosas de Frida Kahlo e nos protestos trazidos pela cultura do rap e do funk.
Extremamente confusa e, na mesma proporção, intensa e verdadeira.
Escrita que tenta traduzir as cavernas que existem dentro do meu peito e que, de certo modo, me mantém viva e me aceita quando estou morta.

Sobre a Autora

Vida e Dor

“Não recomendo esta leitura para quem não está com a psique em um lugar agradável.
Grande parte deste conteúdo faz referência aos meus sentimentos durante um período longo e doloroso de depressão e mania, e pode ser intenso e desconfortável para mentes que tem um toque de insanidade, como a minha.” – Patricia Ferreira de Souza


Inconstante

Inconstante. É isso que eu sou. Instável. Descompassada.
Não me diga que eu devo manter uma ideia por mais de um segundo.
Que eu não posso te amar e te odiar.
Nem eu me sei, não sei de nada mesmo.
Sou instável, descompassada.
Sei que as minhas opiniões vão e vem, se moldam e se alteram.
Se é que podemos chamar isso de opinião, as minhas são mais que dinâmicas.
Elas mudam de forma sutil ou de forma devastadora. Assim como o vento
A única certeza é que jamais será a mesma. Eu jamais serei uma só.
Num instante me sinto firme, confiante, destemida.
No outro, me sinto indefesa, tímida, frágil.
Viverei assim.
E sugiro que você, o quanto antes, entenda que é assim pra mim.
Não espero que me compreenda, não espero que me ame.
Não espero nem que me respeite.
Espero somente que se afaste.
Meu vai e vem é demais pra mim e é demais pra você.
Eu, porém, não posso fugir de mim mesma.
Já você pode fugir de mim, pode se retirar.
E eu sugiro que o faça.
A solidão é minha amiga.
Ela não se envolve, ela não julga.
Mas também não ama, não vibra.
Ela não me atende nos bons momentos.
Mas também não me fere nos momentos ruins.
Por isso, eu escolho a solidão.
E me fortaleço nela para suportar.
A dor de viver.
E a dor de viver o meu vai e vem.

Palavra Ingrata

Tanta confusão dentro de uma mente tão pequena.
Se tanto desconheço e tanto já temo, o que será de mim quando muito eu descobrir?
Os olhos choram uma dor que o peito não reprime mais e que os miolos passam cada segundo tentando entender e sem sucesso, expressam através dos gestos destrutivos, sua indignação.
Minha segunda tentativa de viver em poucos meses e ainda fracasso… fracasso e fracasso.
Quando é que vou ter sucesso na única coisa que tenho certeza que desejo? A morte!
Não espero compreensão, não! Não espero nada!
Aprendi que na vida não se pode esperar nada.
Vida… que palavra ingrata.
Vangloriamos a ideia de viver como se fosse algo esplêndido.
Esplêndido seria poder escolher estar aqui.
Mas não, a vida é um intenso e repentino fracasso.
E lotada de frustração, eu finalizo essa frase.
E lotada de anseio, eu desejo
Que a vida se torne mais leve
Pois não aguento mais não aguentar
e não quero mais fracassar.

Condenada

Eu não sou uma pessoa que costuma cometer erros e por algum motivo, nunca consegui consumar um suicídio.
Por não acreditar no divino, não tenho ao que atribuir o fato de ter sobrevivido a tantas tentativas de morrer.
De qualquer modo, me encontro aqui, ainda respirando e sei que é assim que deveria ser.
Penso, porém, se estou salva ou condenada.
Penso se, nas vezes que mal executei meus planos, fui falha ou obtive sucesso no que realmente meu ser almejava.
De qualquer modo, estou salva, estou aqui. Estou sobreviva.
Não ouso dizer que estou viva, pois isso só sinto em momentos raros. Agora, estou sobreviva.
Respiro, mastigo, durmo e me banho. Isso é o suficiente para todos acharem que eu vivo.
Não sei se fui salva ou fui castigada mais uma vez com essa sentença que é a vida mas
Aqui estou.
E novamente, irei insistir nessa história descabida que é o mundo.
Ansiosa pelo momento em que tudo será melhor, que será mais leve e feliz.
Mas até lá, escondo meu desejo de liberdade no fundo do meu ser,
Vivo mais um dia e depois outro e depois outro.
Maldito ciclo mas
Aqui estou.
Até o momento da minha liberdade.

Ironia

Vi em minha vida muitas pessoas com bocas cheias e corações vazios.
Você deve ter visto também.
Pessoas com atitudes programadas e questionamentos inexistentes.
Foram corrompidas.
Me jurei em não falar de sistema, mas como não falar de algo que gera parte do meu desconforto? Inegável!
Quero esparramar teorias sobre todas as coisas e sobre o funcionamento social, também, é claro.
Quem é você nesse canibalismo chamado sociedade? Você é engolido ou você engole?
Bom, eu sou engolida. Eu sou pisoteada. Mais do que isso, já não me difiro do chão de tão surrada que estou. Estou abatida, abalada. Sou só o resto do que restou de uma pessoa com esperança. Me vejo tentando reconstruir meu coração e busco acreditar no mundo mas ele me dá milhões de razões para duvidar dele, todos os dias, todos os momentos.
As pessoas são ruins, são cruéis. Elas não amam,
Não amam em suas atitudes e não querem bem pessoas como eu.
Eu, de novo me vejo longe de onde pertenço, sei que isso nunca vai passar de fato.
Alias, passar vai, mas sempre vai voltar.
Maldita complexidade da vida
Masturbo meu cérebro atrás de respostas e só colho dor.
O que é que tem de tão misterioso que nós não conseguimos decifrar?
De novo, não me fale de deus. Pelo amor de deus, não me fale de deus.
Perdoem a ironia, mas este texto é livre e quero vomitar minha irritação e minhas queixas.
O que é que estamos fazendo aqui? Sei que viraremos terra, seremos comidos por larvas.
Que emocionante, não?
Ainda não compreendi a romantização da vida. O que tem de romântico em sofrer e apodrecer?
Nunca, em toda minha escrita, pude ser tão espontânea.
Isso é bom, mas nem eu me acompanho por aqui.
Portanto, finalizo esse texto dizendo que até o próprio pensamento é banal e atoa.
Não precisamos pensar. Nosso único papel aqui é se decompor, não vejo a hora disso acontecer comigo.
Adeus.

Ode’ a deus

Não! Não me peça para preencher um vazio existencial com crenças sobre-humanas.
E não! Nunca em nossas vidas a existência pode ser primordialmente baseada em um ser que não é você. Que é ‘celestial’. O que é o céu? Nem sei. Pra mim ele não existe, em minha vida, ele não está aqui, ele não existe.
Não aceito que me digam que eu devo seguir um deus para finalmente encontrar as respostas, até porque eu já as encontrei. A minha revolta é porque eu já as encontrei.
Quem está tranquilo no mundo é porque ainda está procurando respondê-las.
Quer dizer que a resposta é a alienação? É assim que se deve viver? Não! Não quero assim.
Não! Não admito que minha existência se reduza em algo tão distante de mim como a fé.
As coisas que mudam a vida de alguém estão na terra, as reais respostas estão aqui, estão na vida, na natureza, nas atitudes e em mim, sempre em mim, nunca não em mim.
No fim, tudo é a gente, tudo é o que você acha e pensa e acredita e imagina.
Então não! Não ouse dizer que existe um deus e que ele não é você.
Nós somos o deus da nossa própria vida.
Na minha vida eu sou deus e na sua, é você.

Afasta

Quando tentei me convencer da religião, me vi forçado em mim contos e estorias que não me cabiam, não me compravam.
Quando tento me encontrar pelas minhas teorias, tento transcrever meus pensamentos por palavras, fazendo delas verdades, eu me acho, encontro orientação a seguir, me aproximo de respostas e me afasto.
Me afasto da angústia causada pelas regras ditas na religião, me afasto do odio e da repulsa que me vem ao pensar na figura benevolente disfarçada que se criou em um mundo onde o diabo existe em tudo e deus também e o relativismo cega os ignorantes.

Cura

Estou farta de não suportar nada por mais do que instantes.
Ser momentânea é nunca atingir final algum.
Penso que nunca concluirei nada e me vejo triste.
Qualquer atitude é passível de interrupção porque sou água.
Hora quero calmaria, hora quero agitação.
Me questiono
Será que isso passa? Tem cura?
Afinal, batizaram o que tenho de doença.
Me vejo sem poder sair, querendo ficar mas sem saber reagir.
Buscando fugir e rebatendo as dores que consigo.

Cansaço

Cansaço
É o que eu sinto!
Exaustão
É cansativo demais ter que justificar sua existência para si mesma o tempo todo
E ao mesmo tempo pedir por migalhas do que já devia ser seu: o amor.
De que vale a vida se tudo é tão garimpado e árduo para mim?
Eu estou farta
Não sei se aguento permanecer nessa ilusão
Me enganando a cada segundo sendo que já sei qual é minha verdade.
Desejo a morte, cobiço a morte.
E ela me seduz porque sabe que eu a quero.
E nesse jogo eu me percebo tentando cegar olhos que já viram tudo.
Acho que realmente é tarde demais para mim.
Não consigo desver
Não consigo desentender tudo o que eu já sei.
A vida não é real, não é boa.
A vida não é digna da minha presença.
Não é digna de mim.

Respiro

A tristeza me reduz, me diminui.
A tristeza me coloca em uma pequena caixa.
Onde eu quero ficar, eu aceito ficar.
A tristeza é calma, quieta, confortável, segura.
A tristeza não me desestabiliza.
A tristeza me dói muito mas ao menos sou só eu.
A tristeza é solitária mas nem sempre é amarga.
As vezes ela tem tom de melodia branda.
As vezes vem como uma lágrima única.
As vezes ela vem forte
E quando vem, eu respiro.
A tristeza dói sim.
Mas eu consigo escondê-la de você.
Ela e sua irmã, angústia, vivem lado a lado em meu peito.
Mas eu já sei como fechá-las em mim.
Dói de verdade mas eu me finjo e sorrio.
A tristeza é a melhor atriz das emoções.
Esconder ela já me é banal.
É pena que quando eu me permito a pensar
Sobre tudo o que eu sei
Me vejo triste e consciente.
E ter consciência, no meu caso, é preocupante.
E percebo o valor da alienação.
Pois é no alegórico que eu me afasto da verdade.
É na mentira que eu mantenho meu respiro.
E essa verdade só me leva ao que eu já sei
É que a tristeza está aqui e com ela,
minha maior vontade.
Ser libertada da vida.
Ser concebida na morte.
E morrer em paz.

Solidão

A solidão fala comigo
Ela fala quando quer
Ela vem, sorrateira
Dá pequenos sinais,
Me faz lembrar sua existência
Eu até me questiono se é ela ou outra voz
Já sinto tantas coisas que fica difícil ter certeza sempre
Mas sim
É ela
Em minha mente uma voz sussurrante diz
Eu estou aqui
E sempre estarei
E ao ouvir isso
Sabendo de toda a verdade que a fala carrega
Eu me desestabilizo, me amedronto e me odeio
Me odeio tanto
Que me vejo cobiçando caminhos sombrios
Caminhos antigos, que pensei ter ultrapassado
Mas evidente que não, volto a elaborar meu plano de fuga
O último e mais importante plano de fuga
Que realmente me levará a paz e aquietará meu coração.
Dessa vez, não vai haver vazio, solidão, amargor.
Não vai haver nada
e o nada é muito melhor.

A Noite

Tem dias que eu me pego contemplando a noite, o céu escuro, preto.
Observando as luzes dos postes, os detalhes da natureza e os carros passando.
Nestes dias eu preciso observar o externo, o infinito e tudo o que o meu olho alcança.
O vento frio me traz uma leveza, algo que eu realmente gosto de sentir.
Mas tem dias que eu gosto de sentir de uma forma totalmente oposta.
Que é quando eu quero estar dentro.
Dentro de um espaço.
E quero que esse espaço seja o menor possível,
Quanto menor, melhor.
Quero ficar em um quarto, em uma cama.
Queria que fosse possível, ficar dentro de uma caixa.
Ou será um caixão?
Quero mesmo é ficar só dentro de mim mesma.
Nestes dias, nestes certos momentos,
Eu me recarrego e me descarrego
dentro de um espacinho, fechadinho
Quanto menor, melhor.
Mas hoje, eu quero contemplar o céu.
Dias e dias, não é mesmo?
Não sei onde minha mente vai, mas ela vai. Ela já foi, e ela gosta.

O Que Não Posso Ter

A vida não foi boa comigo.
Ela tirou de mim a coisa mais importante
A sanidade
Mas é mesmo a coisa mais importante?
Não vejo ninguém são
E me questiono
Me foi tirada a sanidade ou me foi dada a loucura?
Pois a loucura é um privilégio que algumas pessoas vivem
Ela torna o mundo um pouco mais interessante
Mas também o torna mais desafiador
E isso é ruim, é doído.
Eu penso que
O mundo foi cruel comigo
Me tiraram a sanidade
Levaram minha estabilidade
Minha normalidade
Roubaram de mim a certeza do amanhã
A possibilidade de viver o cômodo e simples
E com isso, levaram todos os meus sonhos
Levaram minha chance de amar
Ora
Não posso ter nada?
Só me restam dores e solidão?
Novamente digo
O mundo é frio e sozinho.
Maldito campo de terra enorme, recheado de teorias humanas
Quando você vai me dar mais do que migalhas para eu poder acreditar em você?
Alguns até conseguem viver mas a maioria só sobrevive quando pode
E não sabem disso, não fazem ideia.
Eu invejo quem não faz ideia, queria eu.
Porém, com toda minha loucura, ganhei o direito de saber da verdade da vida.
e já não posso me deixar enganar e sobrevivo doendo por saber.

‘Ode’ a Vida

Ninguém quer saber da verdade, pois ela endoidece.
Quem descobre a verdade sobre a vida, já não se habilita a viver mais nela.
Os zumbis que conseguem saltitar felizes pela terra
estão em êxtase e não querem saber
Qual é a verdadeira verdade e o sentido disso tudo.
Se soubessem, atirariam em si mesmos ainda hoje.
Ou seriam covardes como eu, e agonizariam até o falecimento natural.
A sanidade e a loucura são a mesma coisa
Olhadas de ângulos distintos.
Eu que olho daqui, te acho maluco por não ser como eu.
E não quero proferir palavras de consumação,
Mas espero que entendam que minha decisão foi tomada
E que não executá-la perfeitamente
Demonstra de novo minha fraqueza e meu despreparo para a vida.

a.C

Quando souberam que não haveria nada para se acreditar, inventaram-se as crenças.
Quando precisavam domesticar a população inconformada, inventaram o cristianismo.
Volto a repetir que tudo é invenção.
A religião foi moldada para hipnotizar pessoas com a possibilidade de um futuro melhor.
Com a chance de um dia viver no paraíso e moldando a todos através do convencimento.
O que isso tem a ver com espiritualidade? Ainda não consegui relacionar.
Tem a ver com infelicidade e insatisfação, apenas.
O hoje quase não existe, que dirá o amanhã, que dirá o depois da morte.
Eu amo a mágica da ignorância.
A ignorância é linda, ela é linda!
Ela blinda o cérebro. Ela mantém as pessoas.
Eu invejo os ignorantes.

O Problema

O problema está em mim e ao mesmo tempo, não está?
Ele está em mim pois eu tenho meus anseios e inseguranças
E isso faz com que minhas atitudes nem sempre sejam coniventes com o que eu realmente acredito.
Logo, isso é um problema.
Eu crio coisas em minha cabeça que não são reais
E isso me faz ter atitudes que eu jamais teria,
Porém tive, tenho e terei.
O problema também está em você
E mais ainda, ele sempre está em você
Quando você não entende que ele está em mim e em você.
Quando o chamamos de problema, ele está em mim e em você.
Não devíamos chamá-lo de problema, se ele existe em todo mundo.
Ele deveria ser no máximo uma questão, algo a ser tratado ou, talvez, relatado.
Mas não um problema.
Um problema é algo irresolvível
Mas se a gente sente, eu sinto, você sente,
Não é um problema,
Talvez seja um fato.
Que deve ser ouvido, tratado e lapidado.
Então, quando eu digo que o problema está em mim e em você,
Eu falho.
O problema não está em nós,
Ele está somente no desamor e na incoerência.
O resto são questões.

Saiam Daqui

A vida corre lá fora
As pessoas fazem o que precisam fazer
Todas trabalham. Elas nem questionam mais.
Todas estudam. Elas entregam.
As pessoas fazem o que precisam. Elas nem sofrem mais.
Elas não questionam.
E eu me pergunto
O que tem de errado comigo?
Que não consegue aceitar essa realidade?
Por que pra mim é tudo tão questionável?
Eu não aceito, não me rendo e ao mesmo tempo
Eu me rendo a morte, eu me rendo a ideia do mundo ser uma fantasia.
Não é muito mais fácil me render ao jogo do que a consciência?
O que exatamente eu pretendo responder?
Por que eu não entro na alienação com os outros?
Por que eu não consigo me alienar?
O que eu quero? O que eu busco?
Busco respostas dentro e fora de mim
E só me causo dor. E no final
Eu não tenho respostas. Não tenho nada.
Só tenho uma vida amarga, dolorida, triste e instável.
E o pior, eu causo isso nas pessoas próximas a mim.
Nem sei porque essas pessoas ainda ficam por perto.
Elas deviam se afastar, mais e mais.
Para tentar ter um pouco mais de vida
E não um pouco mais de anseio de morte.

Suicídio

Não penso em suicídio pelos outros.
Não penso pela afronta que causa.
Não penso pela dor que traria aos meus pais.
Não penso porque atordoaria meus amigos.
Não penso pela grande mensagem que traria.
O suicídio para mim é liberdade.
O suicídio pra mim é o encerramento de uma fase ruim: a vida.
O suicídio pra mim vai ser o início da minha nirvana.
O suicídio pra mim vai ser a possibidade de sentir um vazio agradável.
Sim, eu vejo o vazio como algo agradável. Não vejo como algo ruim.
Eu estou sempre preenchida de coisas tão confusas e doídas,
Que é preferível sim estar vazia.
O vazio pode sim ser mais agradável do que o estar preenchida.
Eu vejo o suicídio como um escape certeiro, tranquilo, calmo.
E se eu ainda não consegui consumar
É porque a pulsão de vida e o instinto é muito forte.
Maldito instinto. É o instinto animal.
De novo é a minha natureza, contra minha racionalidade.
A minha lógica já tomou a decisão.
Meu cérebro já sabe o que quer.
Mas minha natureza insiste em permanecer neste mundo horrível.
E eu me vejo fracassando nas minhas tentativas.
Por que é tão difícil assim?
Só preciso de alguns segundos sem que o ar chegue aos meus pulmões.
Só isso que eu preciso.
De alguns batimentos cardíacos descompassados.
Só isso que eu preciso.
De sangue suficiente para fora das veias.
Só isso que eu preciso.
Por que isso é tão difícil pra mim?
Eu realmente quero isso
Por que é tão difícil?
Eu realmente quero.
Por que? Por que?

Exaustivo Suportar

A vida é um eterno e exaustivo suportar
Criaram a ideia romântica sobre o desgaste que não me faz sentido algum
Não vejo sentido em ter que labutar por tudo, por menor que seja esse tudo.
Não vejo razão para insistir em algo tão infeliz e exigente.
Não vejo esperança, não vejo caminhos
Não vejo nada além de dor e uma eterna insatisfação.
Certos dias, doi, certos dias, sangra
Certos dias, poucos estes, que não sinto nada
E vivo pelos dias em que sinto euforia.
Sinto algo similar a felicidade, talvez.
Não que eu saiba como a felicidade verdadeiramente é.
Enquanto estes dias não vem, sigo em um exaustivo suportar.

Incompleto

É isso, não é mesmo?
E apesar de ser apenas isso, também é muito mais do que isso.
As pessoas falam de descobrir quem você é como se fosse algo trivial.
Descobrir a si mesmo não pode, nem por brincadeira, ser banalizado, diminuído e menosprezado.
Eu mesma venho passando minha vida inteira tentando descobrir pelo menos um pedacinho de mim, pelo menos uma partezinha que me diga algo simples ao meu respeito.
O mais incrível é que ao pensar eu estou sendo, e estando sendo, estou descobrindo e, portanto, me encontrando.
Mas sabe o que eu queria de verdade? Queria pela primeira vez saber verdades verdadeiras. Mas elas nem existem.
Existem pessoas que se conhecem? Que sabem de si completamente? Sinceramente, deve ser triste ser assim, previsível demais.
Eu gosto de ser como sou. É emocionante. Nesse momento mesmo, estou pensando em como é diferente não saber no que vou estar pensando daqui 30 segundos.
Dói, isso dói mas eu aceito essa dor porque é nela que encontro diversão nesse mundo doente. E pretendo doer quando for preciso, para saborear a felicidade instantes depois. Se sou louca? Não! Sou a mais consciente e mais esclarecida do mundo e talvez isso seja loucura para quem vive numa caixa.
Portanto, me chame de louca, me chame de doente mas saiba que o doente é você, que vive numa prisão e não sabe o gosto de viver intensamente nada.
Tenho pena de você, ser estável, tenho pena.
Você nunca saberá o que é se entregar veemente ao instante, seja ele de alegria ou angústia.
Tenho pena de você e desejo que, mesmo por um segundo, você tenha o prazer de viver como eu. Na intensidade, na loucura e na verdade verdadeira sobre a vida.

Esconderijo

Hoje eu fui a piscina
Hoje eu pensei em ir à piscina.
E eu fui à piscina.
Elaborei o plano durante a vinda pra casa.
Estava tudo premeditado.
Ao chegar, passei bons minutos decidindo qual biquíni usar.
Meu critério? Não ser extravagante demais e agradar meus vizinhos.
Hoje eu fui a piscina
Mas antes pensei 100 vezes sobre qual elevador pegar para não cruzar com meus vizinhos.
E durante minha natação, fiquei atenta para não exagerar no barulho, afinal, não quero incomodar ninguém.
Engraçado né?! Essa minha convicção de que minha presença necessariamente atrapalha.
Eu incomodo as pessoas.
Tento não me deixar levar, mas eu incomodo as pessoas.

Prisão

Eu penso que todas as pessoas são prisões.
Cada pessoa é a sua própria prisão
Não me entenda mal
Só quero trazer reflexões sobre isso.
Se somos nossa própria prisão, como eu pressuponho
Não é coerente que passemos a vida tentando fugir dela.
E se ao invés de fugir, nós cuidássemos da nossa prisão?
Afinal, é o único lugar em que estaremos durante toda a nossa vida
Até o último respiro,
Não devemos fugir dela.
Devemos transformá-la em um local lindo
Colorido, espaçoso, habitável, vívido e alegre.
E acima de tudo,
Que sua vida em sua prisão te traga felicidade
Porque isso sim é a coisa mais importante do mundo.

Perdidos

Nós estamos perdidos sim
Nós não sabemos onde estamos, para onde vamos e para onde queremos ir.
Não sabemos o que queremos
Nós estamos realmente perdidos
Uns por um motivo e outros por outro.
Nós achamos que certas coisas são corretas e bem vindas
Mas elas ferem o mais real dos desejos humanos:
A felicidade e o desejo de ser livre.
Nós estamos, por opção, abdicando de nossa liberdade.
Eu como louca, me trato
Mas não devia me tratar
A minha liberdade está na intensidade dos meus momentos.
E eu busco ser estável? Não faz sentido algum.
Eu estou perdida também
E busco respostas onde não é certo,
As respostas estão em nós mesmos, dentro do nosso ser.
E só o autoconhecimento pode trazer os esclarecimentos que precisamos.
Estamos perdidos sim
Nós não entendemos que a casca é a única parte que se joga fora
Nós precisamos ver para sentir algo
Não somos capazes de sentir algo somente com o interior.
Estamos perdidos mesmo
Nós trabalhamos por dinheiro
Nós estudamos por dinheiro.
Nós dormimos e acordamos por dinheiro
E no final ele não faz nada por nós,
Só nós por ele.
Injusto, não?
O mais curioso é que uma pessoa, mesmo com tudo
Pode ser infeliz.
E não me refiro a bens materiais, me refiro a conhecimento de mundo.
Pessoas que sabem menos, são mais felizes sim
Elas não questionam, não precisam.
Com a minha clareza, ganhei a loucura
Ganhei o direito de ver o mundo de um jeito
que não consigo desver jamais.
E os ricos em ignorância são felizes
Elas conseguem se agarrar em falsas verdades.
E essas respostas sem sentido, traz leveza
E aí é possível acreditar em coisas mentirosas.
Elas conseguem se amarrar em suposições.
Isso é ser feliz: não conseguir questionar.
O preço da clareza é a falta de sentido na vida.
O não fazer sentido, corrói muito.
Isso nos deixa desnorteados, corajosos e até fatais.
Irônico não? Estamos por razões diferentes, perdidos no mesmo lugar.
O ser humano nasceu perdido e está condenado a isso.
Nós estamos perdidos.

Nuvem Sombria

Eu trago verdades
Talvez meu nome seja verdade
trago verdades que ninguém quer saber
Trago verdades que podem ser mais doídas do que muitas guerras
Mais doídas do que muitas tragédias
Trago verdades que estão no mais profundo ser de cada pessoa
e são verdades escondidas, tapadas e protegidas para que ninguém chegue perto delas
Porém essa minha caixinha secreta já explodiu
E aí eu não consigo conter as verdades
E aí, eu trago verdades
E essas verdades causam problemas
Elas fazem as pessoas perceberem o que realmente o mundo é.
Elas percebem que a felicidade não existe
Felicidade? O que é isso?
As pessoas estão muito corrompida
E eu, a verdade, me incluo nisso
Eu, como ser, também me incluo nisso
Nós não conseguimos mais amar
E por não conseguir amar
Estamos nos ferindo e nos matando
Nós estamos acabando
E tudo bem, essa verdade dificilmente é acessada
O problema é que eu me tornei ela
Me tornei a verdade
Por onde eu passo, eu carrego uma nuvem preta chamada verdade
Essa verdade é amarga
E é daí que os problemas surgem
Com todo o peso que se pode ter
E nem digo que estou errada
Eu estou certa.
Porém, estar certo nem sempre é bom
Nem sempre é agradável.
E o problema é que se eu continuar ativando a verdade de todos
O mundo vai acabar rapidamente.
Talvez acabe hoje.
Porque eu, Verdade, talvez me acabe hoje.

Minha Carga

Eu jamais me curvarei a vocês
Vocês se curvarão a mim
Eu não preciso me adaptar a vocês
vocês se adaptarão a mim
e se minha carga for demais,
não compensar todas as minhas qualidades
pode se retirar a vontade
o que não falta são pessoas querendo partilhar da minha vida comigo
Acho que é mediante minha loucura
Que as pessoas se interessem por mim
Mas vale lembrar que
Nem por um segundo
faça algo que eu desaprove
Não conte com o meu perdão.
Eu não preciso de você
Todos são substituíveis
A única pessoa que não é descartável
Sou eu mesma
Não faço questão nenhuma de você
Você não me importa nada
Nada.

Certezas

Hoje estou cansada de mim mesma
Estou cansada da minha escrita
e cansada de ler sobre o que sei
Percebo que estou cansada de pensar
Tenho martelado, mais do que nunca,
Todas as verdades verdadeiras
E pressiono isso em minha cabeça a cada segundo
O ato de pensar é cansativo
É desgastante
E como já é sabido, é perigoso
Queria encontrar respostas mais leves
As que eu encontro
E só encontro porque as procuro muito
São pesadas, densas, assustadoras e amedrontantes
Eu realmente gostaria de encontrar boas certezas
Certezas certas e felizes
Mas as certezas são ruins
Sim, elas são ruins
E não posso mais viver com todo esse cansaço em meus ombros
Sobrevivo, então, esperando o dia em que o cansaço acaba
E que eu possa me sentir aliviada e consciente
Embora no meu mais profundo ser, eu saiba que
alívio e consciência são opostos
E já estou condenada pelo saber.

Merecedor de Nada

Quando você faz algo que não o seu espaço ideal
E sai do seu conforto para trazer o bem ao outro
Quando você se responsabiliza
E acaba agindo de acordo com o correto
Você se permite a ver coisas boas
Porque se sente merecedor
E se bonifica com uma falsa sensação
De que tudo está como devia estar
Na realidade, o universo não age sob
a ação e reação individual de cada um
Mas nós, neste caso, nos permitimos
A sentir a felicidade momentânea
E nos permitimos
A sermos o centro de nossos universos
Como deve ser, de fato
Mas é uma atitude um tanto prepotente
Pois no final, nós somos só uma partícula minúscula
E devemos nos lembrar de que não somos nada
Porque saber disso, permite que conhecemos as maiores verdades
Mas nada disso importa
Quando tudo o que sentimos nos agrada
E se convencer, novamente, se mostra necessário no mundo humano.

Ceticismo

Não acredito em destino.
E acredito em pontos de vista.
Quando acreditamos em destino
Liquidamos o real valor sobre nossa alegria.
E perdemos a oportunidade de ser o mérito de nossa felicidade.
E se nós permitimos a atribuir nossa felicidade ao destino
Estamos, voluntariamente, abdicando de nosso poder sobre nós
E nos reduzindo ainda mais
Nesse mundo que já não somos nada.
As pessoas que creem em destino
E aceitam, sem pestanejar, tudo o que a vida traz
São passíveis de pena pois nunca saberão o que realmente é
Viver a energia de lutar verdadeiramente pelo o que se almeja
E tampouco, saberão quão prazeroso é
Ser dono da sua própria vida.
Porque essa emancipação só vem
Quando admitimos que tudo que pode ser mudado
Não é obra de destino algum
Mas sim do somatório de nossas escolhas.
Essa consciência pode doer inicialmente
Mas com o tempo ela se torna mais macia
E então, é possível apreciar
O lado bom do ceticismo.

Depressão

Dizem que depressão é uma tristeza expandida.
Ouso dizer que esta definição é equivocada.
Não vejo a depressão relacionada a tristeza.
Vejo a depressão relacionada à clareza.
Vejo ela relacionada a saber e ver demais.
A depressão culmina em desejo de fuga e de morte.
E me pergunto porque sinto essa necessidade absurda de fugir
Se este, teoricamente, é o meu local natural.
Daí surgem teorias divinas e, honestamente, ridículas
Explicando que nosso local natural não é aqui.
Pensando assim,
Realmente depressão é falta de deus.
Pois vejo deus e alienação como sinônimos
E se eu sei que a depressão é saber demais,
De fato, seu oposto é a alienação.
Mais uma vez me perdi criticando crenças.
Quero concluir apenas trazendo a notícia
De que a clareza é irreversível e excitante.
E de um jeito masoquista, permanecemos buscando mais conhecimento.
Mesmo sabendo que ele vai trazer verdades doídas
E que provavelmente, elas serão fatais.

Se deu, Se não deu

Criaram um sistema cômodo e extremamente confortável:
Se deu errado, não era pra ser
Se deu certo, é benção de deus
Se você não quer se responsabilizar, diz que deus proveu aquilo
E que existem motivos não revelados para tudo.
A verdade é que existem situações na vida que
Nos deixam felizes ou infelizes
E isso não tem nada a ver com deus
Ou melhor, tem a ver só com você, como deus da sua própria vida e
Com a vida e seus acontecimentos randômicos.
Minha inquietação parte daí desta vez.

Estática

Como posso viver se toda energia que tenho é pra permanecer sobrevivendo?
Como posso viver se meus pés já não querem mais tocar o chão?
Querem flutuar
Como posso viver se já não me interesso por este mundo?
Como posso viver se já sei para que estou aqui: para morrer?
Me pergunto todos os dias o que estou fazendo aqui
E quando essa fase ruim chamada vida vai passar
Essa coisa infeliz não faz juz ao nome
Ela não é cheia de vida
Ela é cheia de desesperança, dor e sofrimento
De novo, não entendo o porquê de insistir
Na verdade, eu entendo sim.
Colocaram a auto morte como um sofrimento, talvez o maior para quem fica.
Então me sinto trancafiada e acorrentada
Por não poder realizar meu grande desejo.
Sigo então
Respirando e tentando
de novo e de novo
Sangrando e doendo mundo
de novo e de novo
Mas eu sigo
Morta por dentro
Estática por fora
Imobilizada e infeliz
Até que algo aconteça e eu finalmente conclua
meu sonho de vida; a morte.

Alienação

O processo alienatório mais grave é o religioso.
É você se alienando por opção
Quem busca a religião, busca a maior fuga de todas
Quem se permite a pensar é muito corajoso e forte
A religião é a maior covardia que alguém pode viver em toda a sua vida.

Suportar

A vida é um eterno e cansativo suportar.
Criaram uma ideia romântica sobre o desgaste.
Não me faz sentido algum.
Não vejo justiça em ter que labutar todo dia.
Existir é labutar.
Não vejo justiça em ter que labutar por tudo.
Não vejo razão para insistir em algo tão infeliz e exigente.
Não vejo esperança. Não vejo mais nada.

Cansaço

É o que sinto.
Exaustão.
É cansativo demais ter que justificar sua existência para si mesma o tempo todo.
E, ao mesmo tempo, pedir por migalhas do que já devia ser seu: o amor.
De que vale a vida, se pra tudo preciso garimpar?
Eu estou farta.
Não sei se aguento permanecer nessa ilusão,
me enganando a cada segundo, já sabendo qual é a minha verdade.
Desejo a morte, espero a morte.
Ela me seduz, pois sabe que eu a quero.
E, nesse momento, eu me percebo tentando cegar olhos que já viram de tudo,
que já sabem a verdade.
Acho que realmente é tarde demais para mim.
Não consigo desver.
Não consigo desentender tudo que já sei.
A vida não é real, não é boa.
A vida não é digna da minha presença.
E eu não sou digna da presença dela.

Não Importa

Não importa se eu sangro, se me doo, se eu me machuco. Nada importa.
O importante é permanecer aqui, sobrevivendo, respirando.
Aprendi que é preferível sofrer respirando do que morrer e ter paz.
Aprendi mesmo? Não. Aceitei? Também não.
Mas reproduzo essa ideia na esperança de me convencer.
Eu não concordo — mas quando é que fui ouvida? Até por mim mesma?
Queria que todos pensassem como eu, para que meu único freio não existisse mais. Enquanto o suicídio não for aceito, não será uma opção para mim. Eu preciso ser aceita — até mesmo morta.
A vida é um eterno descaso, um eterno exercício onde, no fim, você tira 0 e é reprovado. Então por que não desistir nos primeiros minutos de prova?
Não acho que aqui se aprende. E, se se aprende, aprendemos para quê? Aprendemos para quando? Por quê? Nada vai acontecer.
Já está acontecendo. É só isso aqui mesmo; não temos nada mais a esperar.
Podemos, sim, já começar a nos indignar, porque não existe paraíso, não existe inferno, não existe Deus. Para mim, só eu existo.

Tanta

Tanta gente e, ao mesmo tempo, ninguém.
Tantas pessoas circulando nossas vidas, e ninguém é capaz de avançar para o seu lado.
Tanta gente para dar “bom dia”, e nenhum quer dizer algo.
Tanta liquidez de pessoas – cada dia um novo amigo, cada dia um novo namorado.
Tanta gente desinteressada no seu bem.
Tanta gente torcendo contra.
Tanta coisa pouca, tanta migalha.
Tanta pobreza, tanta pouca alma.
Tanta covardia.
Tanta solidão em um mundo com tantas pessoas solitárias.
Tanta tristeza atrás de cada sorriso.
Que tempos são estes?
Quem somos nós?
Ao que viemos? E quando vamos?
Não me importo para onde, mas quando vamos?
Quando vamos?

Pedido de Socorro

Chegou o dia.
Chegou o dia em que já não consigo mais expressar minhas dores por palavras.
Hoje, só sinto algo amargo, uma mistura de desistência com tristeza.
E o pior é que não consigo tirar isso de mim escrevendo, e tampouco consigo organizar o que sinto para resolver ou, ao menos, fugir.
Infeliz dia que chegou.
Só sei que estou aterrorizada, apavorada e angustiada, mas não sei falar mais que isso.
Estou estática, imóvel, pensando onde foi que eu errei e quantas vezes mais terei que errar para parar de doer ou, no mínimo, fazer algum sentido toda essa dor.
Estou exausta.
Me tirem daqui, pelo amor de Deus. Pelo menos uma vez, façam algo por mim para que eu possa abdicar desse desespero.
Eu imploro, mundo, imploro, pessoas: me deem um motivo para acreditar.
Eu já não consigo mais sozinha.
A desesperança mata — mas mata em vida, e essa dor eu não suportarei.
Eu imploro, me levem daqui, me tirem desse inferno.
O desespero está me enlouquecendo mais do que eu poderia imaginar.
Por favor, façam por mim. Eu imploro.

Outro Dia Qualquer

Não sei por que me sinto triste, porém sei que sinto-me triste.
E pensar que, por tantas vezes, nem sequer este diagnóstico eu poderia me dar…
talvez devesse ter este momento como uma conquista, uma forma de progresso,
já que, por muitas, a cabeça cansada e o desconforto não seriam sequer interpretados como emoção nenhuma.
Posso, também, entender o momento presente como hiato, ou, quem sabe, como retrocesso.
De qualquer maneira, dessa sensação que causa aflição, inquietude e paralisia, vive solto o meu ser.
Eu não espero que estes sentimentos não apareçam eventualmente;
Espero que eles venham para que eu tenha certeza de que sigo viva.
Espero, entretanto, que sua visita seja breve e que não me cause danos ou dores permanentes.
Em meu estado, particularmente, me faz bem sentir, qualquer sensação que seja.
Eu sei, porém, que sinto tanto que, por vezes, o não sentir e o sentir algo podem levar a períodos eternos, que me custam instantes irreversíveis da minha própria vida.
Espero que este, como os anteriores, se vá quando eu vencer a mim mesma, de novo.